Apesar de me considerar uma mulher do meu tempo, sempre me identifiquei com o design dos anos 50 a 70: os móveis, a iluminação, o lettring, os carros, as cores…
O design gráfico e o de mobiliário são os que mais me cativam, por isso, aliei o meu saber de trabalhar manualmente a madeira (autodidata, aprendendo desde menina com o meu pai) e a minha necessidade de me expressar pela imagem e pela cor
(transversal ao meu trabalho enquanto arquiteta) e criei em 2014 a marca Insónia | awake furniture para me aventurar na comercialização das peças vintage que restauro e decoro. (O nome deve-se ao facto de sofrer de insónias mas é no escuro do tecto que encontro as minhas melhores ideias... e quando as vejo fico completamente desperta e não consigo adormecer enquanto a ideia não assume contornos realistas que serão avidamente postos em prática à luz da manhã seguinte)
Comecei a comprar móveis em 2010, normalmente muito mal tratados, pois gosto de me sentir a sua enfermeira pessoal, tratando-os com todo o respeito, restaurando-os com os melhores materiais e técnicas, enquanto vou gozando a expectativa de imaginar como lhes posso dar uma nova alma; de que forma querem se apresentar novamente à vida?
É essa ânsia que me faz, por enquanto, criar o que entendo ser a história que a peça me conta, mas quem sabe um dia contarei as histórias que as outras pessoas têm com os seus móveis…
O carinho e a intimidade com que faço o meu trabalho faz com que seja muito difícil assumir a venda e mais ainda atribuir-lhes um valor comercial (para mim acabam por ser peças de autor…). Se gostar delas (quase) tanto quanto eu, tenho todo o prazer em mostrá-las ao vivo e em dizer-lhe quanto tem de me dar para eu as deixar ir consigo…