TRIBU
O logótipo e o nome são criação da Tita, a partir da caixa de coração com a sagrada família.
“A família que guardas dentro do teu coração, que proteges, aconchegas e ocasionalmente exibes; a família que, como três gotas de água, é o possível princípio dum novo Oceano.”
O projeto Tribu tem três vertentes que se interligam e três sentidos complementares.
1º. - Tribu como grupo de indivíduos c
om algo em comum, com o sentido de família, de sagrada família e, porque todas as famílias são sagradas, engloba os presépios, as “famílias” de caixas de mocho, os puzzles de coelhos com coelhinhos, os cães de vários tamanhos, etc.
2º. - A família no seu sentido mais lato é o mundo. Daí o eu fazer o aproveitamento e reciclagem de restos de madeiras provenientes da manufactura de móveis e/ou resultantes da poda de árvores de fruto da região. Estes últimos têm geralmente de secar durante 3 ou 4 anos, consoante a espessura, para poderem depois ser utilizados para os artefactos ou, os muito estragados, para a salamandra. Daí o eu chamar aos produtos resultantes destes troncos “Os Resgatados da Lareira”. Trabalho portanto com madeiras diversas na sua cor natural, obtendo os efeitos decorativos com embutidos, vazados e aplicações e sobretudo com a fantástica diversidade natural de colorações, tonalidades, durezas e texturas que a natureza nos oferece.
É o meu hino de louvor à biodiversidade e a minha prece para a sua preservação.
3º. - Tribu foi também escolhido por associação com o conceito de tribologia, a ciência que estuda a interacção de superfícies em movimento, sua lubrificação, atrito e desgaste. Esse conceito, embora duma forma muito empírica, é usado nos diversos encaixes e articulações dos puzzles, porta-chaves duplos e caixas.
………………….. Gosto de juntar velhas técnicas com novas tecnologias. (Nos marcadores de livros, por exemplo, embutidos de fora a fora, uso a velha arte de embutidor com a nova tecnologia de colagem com resina de epóxi e aditivos que, sendo neutra depois da reacção química terminar, permite a colagem a topo de madeira muito fina.) Adoro questionar o estereótipo da caixa quadrada com tampa em cima. (Pelo que adoro as minhas caixas e caixinhas que exploram diversas formas de abrir, para além da diversidade da própria forma e decoração, que considero bastante didácticas pela sua diversidade, sendo puzzles muitas delas, que à primeira vista parecem tudo menos caixas, de tal forma que até funcionam como caixas de segredo e me levam a dizer que são guarda-jóias de criança, para a criança que há em cada um de nós.) E os porta-chaves duplos, criados sob o conceito da complementariedade e coexistência, têm sempre, pelo menos, duas madeiras diferentes e uma tal variedade de formas que lhes permite "ilustrar" multiplas relações. No fundo sou uma fazedora de puzzles, tentando sempre encaixar a peça certa no lugar exacto e na posição correcta e, se a peça ainda não existe, tento criá-la. Daí o fazer puzzles, muitos puzzles, imensos puzzles, alguns mesmo para crianças e outros para adultos, em que o puzzle é o pretexto para recordar que a própria vida e tudo o que nos rodeia é composto de muitas pequenas peças, que se juntam e interligam para constituir o todo coerente e belo. Uma peça isolada não faz muito sentido, mas faz muita falta no conjunto. Dai a importância da Tribu.