07/03/2026
Às vezes, a mudança não é um salto.
É uma travessia.
Não é um ato solitário, mas um movimento
de manada.
Um acordo entre todas as partes que nos habitam para, enfim, mudar de margem.
O rio é o limiar.
A água, o tempo denso do desconhecido.
Não se sabe a profundidade exata, as correntes que puxam, as pedras que cortam.
Só se sabe que é preciso ir.
A matriarca, a parte mais antiga de nós,
testa o fundo com as patas.
Ela não sabe tudo, mas se lembra.
Lembra-se de outras travessias, de outros rios.
A sabedoria dela não está na certeza, mas na memória do corpo: uma confiança que se transmite por vibrações que não se ouvem,
mas se sentem.
Os mais velhos protegem os mais novos.
As partes fortes de nós amparam as que tremem.
Ninguém f**a para trás.
Porque uma travessia só se completa quando
a manada inteira chega à outra margem.
É um movimento lento, pesado, arriscado.
Um ato de fé coletiva. Uma rendição ao instinto que diz: “o alimento acabou aqui, a vida nos chama do outro lado”.
Como escreveu a bióloga e filósofa Lyall Watson: “Se os elefantes podem aprender com a experiência, é porque eles se lembram.
Eles se lembram de tudo.”
E nós? O que nos lembramos quando o chão some sob os nossos pés e a única opção é confiar na água?
Lembramo-nos que já atravessamos antes.
E que nunca, nunca atravessamos sozinhos.
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🎥vídeo de .jetly