31/05/2025
Bisa Maria e Bisa Idalina.
Tenho certeza de que o meu amor pelas manualidades passa pela história dessas duas mulheres.
Bisa Maria fazia renda de bilro desde criança. Em Guarapari, cidade litorânea do Espírito Santo, as rendas eram feitas pelas mulheres e meninas e vendidas para os turistas que vinham, muitas vezes, de Minas Gerais passar a temporada de verão na praia.
Quando dona Maria se viu viúva e com quatro filhas, uma delas ainda uma bebê, para criar, fez a renda de bilro virar renda. Batia os bilros de madeira feitos pelo falecido marido com tanta destreza que parecia dançar um balé com as mãos. Com as mãos, sobreviveu, fez arte e criou quatro mulheres inspiradoras.
Da praia para o centro-oeste brasileiro, no coração do Cerrado, bisa Idalina estava grávida do meu avô quando seu marido faleceu. Viúva e esperando um filho, mudou-se para uma cidade vizinha e recomeçou a vida costurando as mais lindas roupas. Conquistou respeito como costureira até fazer vestidos de noiva.
Com minha avó Nilcea e minha tia Dium, filhas de bisa Maria, aprendi meus primeiros pontos de crochê, costura e tricô. Com minha madrinha Vanda, criada pela bisa Idalina, pratiquei muitos pontos altos, baixos e baixíssimos.
Sou muito grata por ter herdado esse conhecimento ancestral das mulheres da minha família. Obrigada a cada uma de vocês que teve o amor e paciência de ensinar uma menina a criar um mundo com as mãos.